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Biografia

A poesia, como expressão de sentimento, é convencionalmente mais apreciada quando fala de amor. Juras, devaneios, sonhos. Amor pela vida, por pessoas e coisas. Mesmo quando expressam a dor da perda ou o anseio de um amor impossível. Inerentemente, palavras têm bons precedentes quando falam de amor.

O mesmo não acontece com seu antagonista. Há tanta dificuldade de se ouvir e falar sobre ódio que o poeta cede lugar ao psicanalista. As palavras tomam tons de cinza e, inerentemente, favorecem a rejeição.

Mas como a noite está para o dia, ou a morte para a vida, o amor tem um caso de amor com o ódio.

Siod é um nome derivado de “esse ódio” (esSIODio). De forma que Umberto, Fabiano e André, subjetivamente, não apenas são capazes de ouvir e falar sobre ódio, mas, sobretudo, cantam sobre ódio. São os poetas malditos do ódio!

O Siod foi originalmente formado em 2013 pelo vocalista, guitarrista e compositor Umberto Buldrini, embora rascunhos das primeiras composições tenham surgido ainda em 2006. “esSIODio”, disco de estreia do Siod, é então a consolidação de um trabalho que vem sendo desenvolvido há pelo menos 10 anos.

“As músicas do álbum são um misto entre novas composições e ideias que eu tinha desde 2006”, conta Buldrini. “Todas as composições nasceram a partir de ideias de riffs que surgem na minha mente. Geralmente as gravo no celular, simulando o riff com a boca mesmo, ou com o violão, só para depois transpor para a guitarra. No estúdio trabalhamos as linhas de bateria, baixo e vocal. Cerca de 90% do álbum de estreia foi composto assim”.

“esSIODio” foi produzido pelo próprio Umberto Buldrini e pelo baixista Fabiano Gil. Aliás, os dois se conheceram durante um projeto de produção de áudio. Após um trabalho feito em conjunto como produtores, resolveram unir forças também como músicos.

“O fato de eu e o Fabiano termos trabalhado juntos em outros projetos antes de produzirmos o disco do Siod fez toda diferença”, afirma Buldrini. “A cada novo trabalho a meta é soar melhor que o antecessor. O processo segue em aplicar o que se aprendeu previamente e somar ao panorama presente. Mas há mais dificuldade ao se auto-produzir, uma vez que a auto-critica pode acabar sendo afetada pelo romantismo envolvido no trabalho. Por isso que durante a produção de “esSIODio” procuramos desenvolver a visão de produtores como se estivéssemos trabalhando com uma outra banda que não fosse a nossa”.

Com produção contemporânea “in-the-box”, sem recursos analógicos, o Siod apresenta em “esSIODio” uma coleção de oito músicas que, baseadas pelas referencias de Umberto, principal compositor, não têm vocação para rótulos.

“Pra ser sincero, minha experiência enquanto ouvinte é muito mais qualitativa do que quantitativa. Quando curto uma banda, sou daqueles de ouvir toda sua discografia, ao invés de procurar por outras dez bandas diferentes. Gosto do progressivo e gosto do extremo. Gosto da pegada thrash e do hardcore. Mas acredito que minhas influências não venham de uma ou outra fonte, mas um pouco de tudo que a música pesada tem a oferecer. Esse disco quase não teve influência dos integrantes atuais (nem dos antigos), as músicas já estavam praticamente prontas na minha cabeça quando montei a banda. E da minha parte nunca houve qualquer pretensão de soar como este ou aquele estilo. Aliás, se for pensar nas bandas que venho escutando nos últimos 10 anos, nenhuma se parece com a Siod “.

Ainda de acordo com Umberto, desde o embrião do Siod que a língua portuguesa foi o idioma escolhido.
“Eu falo português, minha cultura é a língua portuguesa. Por que raios cantaria em inglês? Vemos a música como uma extensão de nossas almas. A meu ver a língua é essencial para se obter legitimidade na expressão de suas ideias e sentimentos mais profundos. Para mim não faz sentido cantar em outra língua. Não me sinto confortável ou natural. E acho a língua portuguesa bastante poderosa e expressiva!”

Nesse sentido não há argumentos contra Umberto ao se basear pelas letras de músicas como “Maldade”, “Buraco da Fé” ou “Coragem Amigo”, cujas mensagens são explícitas. Segundo o músico, nenhum receio com a censura seria obstáculo para a livre expressão.

“Caso nos censurem pelo conteúdo de algumas letras, legal, atingimos alguns dos objetivos! Somos uma banda de rock, incomodar faz parte. Essas letras podem ter tanto cunho subjetivo como ser uma narrativa do mundo ao meu redor. Em algumas também me projeto para a subjetividade alheia, de forma a ter acesso a pensamentos diferentes dos meus, mas que possam agregar às coisas que acredito. Em geral circundam a polaridade “negativa” do homem.”

Segundo Umberto, “Maldade” foi a primeira música e letra finalizada por ele. De alguma forma, ela pode representar todo o universo conceitual do Siod. “É uma observação sobre um individuo que enxerga seu lado negativo e aceita-o. Como qualquer outra pessoa, temos potencialidades tanto para o bem quanto para o mal. Usar uma ou outra, é questão de escolha. Assim como a bondade, a maldade vaga entre nós”.

Se o pressuposto da crítica é a auto-crítica, o Siod sente-se confortável com a letra da faixa-titulo “esSIODio”, cujos versos iniciais não fazem rodeios: “Esse ódio que eu sinto… Da cultural nacional… O país só se mexe… Depois do fim do carnaval!”. Umberto faz questão de pontuar onde começa e termina “esse ódio contra a cultura nacional”.

“Não odiamos nossa pátria ou nosso povo. Nosso ódio é contra essa sociedade que esquece os problemas (corrupção, doenças, falta de médicos, doutrinas exacerbadas) em datas festivas, como se nada tivesse acontecendo, e vive num mundo paralelo, levando suas atitudes a contribuírem com o regresso.”

Pode ser mais bonito e até mais fácil falar de amor. Mas a poesia nunca estará completa sem o ódio. Ame-os ou odeie-os, os poetas malditos vieram para ficar!

 
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